segunda-feira, 12 de maio de 2008

"Os Sonhos Não Envelhecem..."

Quando estava no curso de Licenciatura Plena em História da Universidade Estadual do Ceará participei de muitos Congresso de Estudantes. Mais adiante vocês terão a oportunidades de saber mais um pouco sobre eles.
Nesses congressos, geralmente, as propostas, para o movimento estudantil, universidade e sociedade são apresentadas em forma de teses. Estas teses recebem "pseudônimos", muitas vezes trechos ou frases de músicas e poemas. Lembro-me de algumas: "Nada do que foi será"; "Quem vem com tudo não cansa"; "A beleza de ser um eterno aprendiz"; "Frutos da crise, sementes da ousadia"; "Pro dia nascer feliz"; "Somos quem podemos ser...Sonhos que podemos ter..."; e por aí vai...
Mas teve um congresso que me marcou não pelas teses defendidas ou por aquela vencedora ao final dos dias de debates. Uma das correntes do movimento estudantil escolhera uma letra, "Clube da esquina nº 2", para divulgar sua tese, que se chamava "Os Sonhos Não Envelhecem".
O movimento estudandil foi uma das minhas escolas. Foi lá que aprendi a controlar minha timidez, além de ter contribuído diretamente na minha formação. E esse mesmo movimento estudantil começava a entrar em colapso, uma vez que muitos projetos de esquerda resolveram optar pela social democracia, chegaram ao governo e paradoxalmente tiveram (e estão tendo) êxito numa conjuntura neoliberal, sem ruptura ideológica. Conclusão: a galera estava cantando como o poeta "ideologia, eu quero uma pra viver!"
Capistrano de Abreu, na busca por identificar os responsáveis pela construção do edifício colonial, construiu um pensamento que ainda ecoa nos nossos dias; "o povo, durante trezentos anos capado e recapado, sangrado e ressangrado."
Dura realidade e sentimento de impotência...
Não sei se soava como consolo ou como alívio para os meus pés cansados até aquele momento...

"Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, asso, asso
Asso, asso, asso, asso, asso, asso
Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
Calmos, calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio
E lá se vai...(...)"
(Milton Nascimento / Lô Borges / Márcio Borges)


E foi nessa atmosfera que a poesia saltou no meio daquelas teses que nada podiam reverter aquele quadro de decadência e desarticulação.
Muitos dias se passaram e os anos também!
Sempre que encontro meus "companheir@s" de movimento estudantil, eles lamentam os tempos que não voltam mais e da apatia, da falta de mobilização dos estudantes de hoje! Também lamentam o fato do trabalho ter-lhes absorvido de tal forma, que acham impossível sair da órbita "casa-trabalho-casa".
Quando digo que não parei de caminhar, que não me filiei a nenhum partido político e que as bandeiras que levanto hoje são outras, vejo nos olhos deles um brilho especial, que me motiva e me faz lembrar: "É... José! Os Sonhos Não Envelhecem!"
E o que se chamava estrada encontrou uma "Nova Chama", que se fez "lâmpada para os pés e luz para o caminho".
Também queria dizer para vocês que estão passando por essa estrada:

"Sonhos não envelhecem...
envelhecem... os que não sabem sonhar bonito!
O rosto da alma não sofre a ação do tempo!
Sobrepuja-o com discrição... dignidade e contentamento!
Homens... máquinas que guerreiam pela ânsia da vida...
desejando a qualquer custo
alcançar o primeiro lugar no pódio...
na conquista da taça... no mundo dos negócios...
não sabem sonhar bonito!
Não vêem mais as árvores...
e nem o brotar de novas flores...
Não sentem o frescor da chuva e...
nem o cheiro da terra molhada!
Chutam as pedras... sem tirá-las do caminho!
A dialética da vida...
não se interpõe em nossos pensamentos!
nós é que a enquadramos...
dentro dos padrões de vida que escolhemos!
A visão comprometida pela luta... nos leva a torvelinhos e...
às vezes afundamos... sem voltar à tona!
Visão ampla...é a visão da essência...
a visão que os poetas enxergam!!!
Sonhos não envelhecem...
se o renovarmos a cada dia...
E nem as almas de quem souber sonhar bonito!
("Sonhos não envelhecem", Iracema Zanetti )

"É... Amig@! Os Sonhos Não Envelhecem!"
Abraço a Tod@s!

3 comentários:

Pablo Robles disse...

SONHOS NÃO ENVELHECEM... mais que isso, sonhos rejuvenescem o que parecia velho!

Ótima reflexão para mergulharmos em mais uma semana, abraços

Allison Ambrosio disse...

Só de vez em quando que a gente sente uma vontadezinha de parar de sonhar. Como disse o sábio Salomão, "esperança adiada faz adoecer o coração"...

Confesso que às vezes sinto que estou sonhando demais. No entanto, o dia em que eu conseguir parar de sonhar... Tragam flores!

ansof7 disse...

Um novo fôlego!!
precisava ler isso amigo...

Sim vamo assistir "Na Natureza Selvagem"
filmaço sassão cultural do UCI...
ainda + quando descobri q é vencedor do gobo de ouro de melhor canção original q por sinal foi composta por Eddie Vedder!!!

depois de ler o texto pensei q o autor do filme deveria ter lido tb!!
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Os Sonhos Não Envelhecem!