domingo, 16 de outubro de 2011

Quem me levará sou eu

Amigos a gente encontra
O mundo não é só aqui
Repare naquela estrada
Que distância nos levará
As coisas que eu tenho aqui
Na certa terei por lá
Segredos de um caminhão
Fronteiras por desvendar
Não diga que eu me perdi
Não mande me procurar
Cidades que eu nunca vi
São casas de braços a me agasalhar
Passar como passam os dias
Se o calendário acabar
Eu faço contar o tempo outra vez, sim
Tudo outra vez a passar
Não diga que eu fiquei sozinho
Não mande alguém me acompanhar
Repare, a multidão precisa
De alguém mais alto a lhe guiar
Quem me levará sou eu
Quem regressará sou eu
Não diga que eu não levo a guia
De quem souber me amar
[Dominguinhos / Manduca] 

Abração!
Wendel Cavalcante

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Parabéns, Papai!

Parabéns para meu pai!
Hoje ele completou 65 voltas ao redor do astro rei!
Vida longa, meu velho!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O lobo e o cão

Encontraram-se na estrada
Um cão e um lobo. E este disse:
“Que sorte amaldiçoada!
Feliz seria, se um dia
Como te vejo me visse.
Andas gordo e bem tratado,
Vendes saúde e alegria:
Ando triste e arrepiado,
Sem ter onde cair morto!
Gozas de todo o conforto,
E estás cada vez mais moço;
E eu, para matar a fome,
Nem acho às vezes um osso!
Esta vida me consome...
Dize-me tu, companheiro:
Onde achas tanto dinheiro?”
Disse-lhe o cão:

“Lobo amigo!

Serás feliz, se quiseres
Deixar tudo e vir comigo;
Vives assim porque queres...
Terás comida à vontade,
Terás afeto e carinho,
Mimos e felicidade,
Na boa casa em que vivo!”
Foram-se os dois. em caminho,
Disse o lobo, interessado:
“Que é isto? Por que motivo
Tens o pescoço esfolado”
— “É que, às vezes, amarrado
Me deixam durante o dia...”
“Amarrado? Adeus amigo!
(Disse o lobo) Não te sigo!
Muito bem me parecia
Que era demais a riqueza...
Adeus! inveja não sinto:
Quero viver como vivo!
Deixa-me, com a pobreza!
— Antes livre, mas faminto,
Do que gordo, mas cativo!”

[Fábulas de La Fontaine], por Olavo Bilac.

Abração!

Wendel Cavalcante

domingo, 19 de junho de 2011

O sonho das almas que são sempre livres


"Nesta fantasia eu vejo um mundo justo
Ali todos vivem em paz e em honestidade
O sonho das almas que são sempre livres
Como as nuvens que voam
Cheias de humanidade dentro da alma"
[Composição : Chiara Ferrau / Ennio Moricone ]

domingo, 12 de junho de 2011

#AciênciaMEaproximaDeD'us

4 53M3LH4NÇ4 D05 470M05, 45 L1NGU4G3N5 N3C355174M D3 4F1N1D4D3, C0N7470, 3N3RG14, 37C. 
3 4551M, C0M0 NUM4 L1G4Ç40 I0N1C4, 4 C0MUN1C4Ç40 3 C4MP0 D3 D04Ç40 3 R3C3PÇ40 D3 P4L4VR45 3N7R3 45 L1NGU4G3N5. 
P0R74N70, M35M0 53M 1N73RF3R3NC14, UM4 M3NS4G3M NUNC4 53R4 4 M3SM4 D0 M0M3N70 D4 3M15540.
48R4Ç40
W3ND3L C4V4LC4N73

sábado, 11 de junho de 2011

Encontros e Despedidas

" E assim, chegar e partir 
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar"
[Milton Nascimento e Fernando Brant]

domingo, 29 de maio de 2011

Trânsito

"Não existe mão ou
contra-mão
no trânsito de minha alma
Sinais vermelhos só para o egoísmo


Sinais verdes para novos amigos e antigos amores


FotoSensores de sonhos
e desejos
Multa por excesso de ausência
Não existe mão ou
contra-mão




no trânsito
de minha alma".
[Talles Azigon]

sábado, 21 de maio de 2011

Tocando em frente



"Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu vou, estrada eu sou"

Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
e ser feliz"
[Trecho de "Tocando em frente", de Almir Sater e Renato Teixeira]


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Oração





Meu amor, essa é a última oração
pra salvar seu coração,
coração não é tão simples quanto pensa,
nele cabe o que não cabe na dispensa.
Cabe o meu amor,
cabem três vidas inteiras,
cabe uma penteadeira,
cabe nós dois.
Cabe até o meu amor.
(A Banda Mais Bonita da Cidade)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Deixemos de coisa, cuidemos da vida.

"Que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida". 
(Canteiros, Cecília Meireles)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PARA TODOS QUE CHORAM

Carta aberta da executiva da Rede FALE sobre as mortes acontecidas na escola Tasso da Silveira em Realengo, Rio de Janeiro.


Chorar é um ato radical, é o clamor da alma. É derramar a mais pura essência do sentimento em gotas cálidas de emoção. Sim, sabemos que alguns choram de alegria, e que elas podem expressar o nascimento de uma criança, porém hoje vertemos lágrimas por pequeninos tiveram suas vidas ceifadas tragicamente.
Não há palavras que traduza o nó na garganta ante a barbárie vivida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro. É inaceitável pensar na ideia de que crianças sejam alvo de tamanha brutalidade. Porém é mais inaceitável ainda que alguém tenha acesso tão fácil a armas e munição.
A transbordante violência acontecida nesse ato louco é tão somente o sintoma de algo que é visto em proporções menores todos os dias. Pessoas de todas as idades morrem cotidianamente em nossas cidades vitimadas por armas de fogo. Muitas dessas armas letais chegam na mão de qualquer um porque ainda há uma grande circulação delas e falta de fiscalização do estado. É comprovado que a presença delas nos lares faz também aumentar grandemente as chances de acidentes, suicídios e homicídios culposos ou mesmo dolosos, em vez de servir como mecanismo de defesa.
Em 2005 (ano do referendo sobre o desarmamento), a Rede FALE mobilizou-se com a campanha FALE PELO DESARMAMENTO que, entre outras reivindicações, pedia a adoção de medidas rigorosas para o controle da produção, importação, exportação e circulação de armas de fogo e munição em nosso país, fiscalizando-se também, com maior eficiência, as empresas de segurança privada e polícias, a fim de serem coibidos os desvios de armamentos para organizações criminosas e a imprescindível proibição do comércio de armas para a população civil.
Na disputa do referendo sobre o comércio de armas, os vencedores coordenaram a campanha do VOTO contrário ao desarmamento, foram bancados pela indústria de armas e deram a falsa ideia de que votar “Sim” seria o mesmo que favorecer os criminosos. Hoje a maioria dos crimes e assassinatos são praticados com armas provenientes do mercado legal, prova cabal de que tal alegação não passava de sofisma.
A Bíblia afirma que Deus enxugará dos olhos todas as lágrimas. Sim, é verdade... Mas muitas dessas lágrimas poderiam ser evitadas! Até quando instrumentos de morte serão fabricados com a desculpa de trazer segurança? Quantas outras vítimas involuntárias irão tombar para que nossa gente tome consciência do poder destrutivo das armas? Quantos “brasileirinhos e brasileirinhas” ainda terão suas vidas tomadas pelo terror que nos cerca enquanto o estado brasileiro teima em não criar políticas públicas que fortaleçam uma cultura de paz?
A Rede FALE se manifesta em favor da vida. Para todos que também choram conosco diante da violência acontecida em Realengo, nossa mensagem é:
Chorar é um estado de alma, é ser plenamente humano e totalmente divino. É um bem espiritual que Deus nos dá. É a capacidade de sentir numa época onde a lógica é ter peito de pedra e coração de latão. Felizes são os que choram, pois deles é o Reino de um Deus que por meio do seu sangue reconcilia toda a sua criação. Queremos convocar todos vocês que orem junto conosco para que nosso país converta “...suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices”(Isaías 2:4).

Em Cristo, o Príncipe da paz.



Caio  Marçal – Secretário de Mobilização Nacional da Rede FALE
mobilizacao@fale.org.br
www.fale.org.br
Twitter: @redefale

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Resenha do Livro Direto ao Ponto


Direto ao Ponto: Ensaios sobre Deus e a Vida. Ricardo Gondim, São Paulo, Doxa Produções, 2009, 148 p., esgotado.

Ricardo Gondim Rodrigues é teólogo brasileiro, pastor da Igreja Betesda em São Paulo, presidente do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos – ICEC/SP e conferencista. Também é articulista da Revista Ultimato e mantém o site www.ricardogondim.com.br. É autor premiado e escreveu, dentre outros livros, É Proibido: o que a Bíblia Permite e a Igreja Proíbe (1998); Artesãos de uma Nova História (2001); Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas (2007); Sem perder a alma (2008); Missão Integral: em busca de uma identidade evangélica (2009); Deus imerso no sofrimento humano (2010); Pensando fora da caixa (2010).

Ao iniciar o livro com um convite ao debate, não à polêmica, o autor objetiva instigar os leitores à pesquisa, sem pretender dar respostas a todas as questões abordadas nem sistematizar a verdade. A proposta é a de repensar a espiritualidade evangélica e a vida cristã buscando as conexões com a vida real.

No decorrer dos 19 capítulos, temas como a onipotência de Deus, espiritualidade, concepção do conceito de história, milagres, tragédias, fé, dúvida, culpa, pecado, salvação, liberdade, Bíblia, Graça, e que resignificados, formam uma moldura do que o autor chama de “vocação de tornar-se mais humano”, ele inicia uma reflexão a respeito da igreja mercantilizada, que promete “muito mais do que cumpre”, que promete “o bilhete para a vida eterna”, não se preocupando como ensinar as pessoas a viverem o aqui e o agora, numa dimensão existencial, sem desconsiderar o céu.

Expõe, ainda, que viver é uma aventura sem garantias e cita algumas personagens bíblicas que não arredondaram a vida, que não se anteciparam aos acidentes do futuro e nem se blindaram contra as maldades humanas. E neste processo a fé é compreendida como uma coragem existencial, que aposta nos valores do Evangelho e que nos convida a confiar no propósito eterno de Deus (ter filhos e filhas parecidos com Jesus de Nazaré) e no Seu amor gratuito, universal e unilateralmente derramado sobre todas as pessoas, mesmo que falte a fé.

No mundo religioso que explora a culpa das pessoas ao afirmar que todos estão “degredados porque são inerentemente maus, promíscuos e ímpios” e que precisamos ser salvos de nós mesmos, o autor segue na contramão desse pensamento ao dizer que passou a ver “responsabilidade” como a “iniciativa e a capacidade de responder às demandas éticas da vida”, não por “culpa ou medo, mas por reverência à vida, ao próximo e a ele mesmo, acreditando que a auto-implosão da vida não é legítima, uma vez que ela é morada de Deus.

Por acreditar que Deus é um ser livre, que somos dotados de liberdade, uma vez que somos imagem e semelhança dEle e que o “esvaziamento de Deus em Cristo acaba com o paradoxo da onipotência versus liberdade humana”, o autor aponta para um fio de esperança: “ Deus não está nas perguntas sobre sofrimento, mas nas respostas”. Afirma, ainda, que a Bíblia, em sua trama, mostra que a humanidade usou perniciosamente essa liberdade, mas que Ele nunca desistiu da Sua criação e que chama Seus filhos e filhas para se arrependam de suas más escolhas e os convoca a se tornarem artesãos e artesãs de uma nova história, construída a quatro mãos, sendo nós Seus cooperadores e cooperadoras. Neste mundo sedento de esperança, a Bíblia pode tornar-se um “manual de vida, desde que volte a ser o livro de cabeceira que alimenta a vida devocional e o alicerce dos princípios que nortearão as decisões do dia-a-dia”. Ele afirma, ainda, que “santidade se confunde com integridade” e que “salvação, vida eterna foi conquistada na cruz”.

Ao ansiar por uma igreja sem ufanismos, com crentes vivendo de forma singela, com relacionamentos verdadeiros e que anunciem e construam o Reino de Deus, o autor constrói propostas a fim de mantê-las como um horizonte utópico e vocação, onde a espiritualidade seja capaz de gerar homens e mulheres gentis, leais e misericordiosos, capazes de descartarem “qualquer lógica que não se conecte com a vida”, de reciclarem suas expectativas “de viver sem percalços” e de acolherem “o desafio de peregrinar, só peregrinar”.

José Wendel Cavalcante Ferreira
Igreja Betesda no Joaquim Távora
Fortaleza – Ceará.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Destá

"Destá, a vida é isso e o mundo dá tantas voltas.
Talvez em uma delas você vai me encontrar".  
(Dorgival Dantas)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Delinquente


Conheço o segredo dele,
Seu pesado segredo.
Seu terrível segredo.
Como é que um segredo assim, Senhor, pode ser carregado
       por este garotão com cara de criança, de criança que
       envelheceu cedo demais?

Bem gostaria que ele m'o contasse,
Que ele dividisse seu peso comigo.
Há longos meses venho estendendo a mão a este irmãozinho
       esmagado.
Avidamente ele apanha esta mão, afaga-a, beija-a... mas por
       cima do abismo que nos separa.
Quando quero atrai-lo suavemente, ele recua, pois na outra
       mão traz seu segredo, pesado demais para confiá-lo a
       mim.

Senhor, ele me dói.
Olho-o de longe e não posso abordá-lo,
Também me olha e não pode abordar-me.

Eu sofro,
Ele sofre ainda mais, e não posso ajudá-lo: curto demais é
       meu amor e cada vez que do meu lado lanço uma ponte
       para atingir a sua solidão, aponte é pequena demais e
       não atinge a outra margem.
Vejo-o , então, à beira de seu sofrimento, hesita, anima-se,
       mas volta atrás, desesperado, pois é grande demais à
       distância, e o fardo pesa muito.
Ontem, Senhor, ele se inclinou para mim, deixou escapar uma
       palavra e depois recuou. Tremeu-lhe o corpo todo à força
       do segredo que vinha chegando, mas rolava outra vez,
       para o fundo de sua solidão.
Chorar, não chorou, mas tive que enxugar as grandes gotas
       de suor que lhe orvalhavam a fronte.
Não posso tomar-lhe esse fardo que é dele; é preciso que ele
       consinta.
Vejo-o e não posso apanhá-lo.
Não o queres, Senhor, já que ele não o quer.
Não me cabe o direito de violar seu sofrimento.
Penso , esta noite, Senhor, em todos os isolados, em todos
       os que estão sós, horrivelmente sós,
Poque nunca se deram a carregar a ninguém,
Porque nunca se deram a ti, Senhor.
Nos que sabem algo que os outros jamais saberão.
Nos que sofrem de uma chaga que ninguém jamais poderá
       tratar.
Nos que sangram por uma ferida que ninguém curará.
Nos que estão marcados por um golpe terrível do qual
       ninguém jamais suspeitará.
Nos que armazenam no silêncio horroroso do próprio
       coração, searas de humilhações, de desespero, de ódios,
Nos que esconderam um pecado de morte e são túmulo frio de
       fachada pintada.
Aterra-me, Senhor, a solidão dos homens.

Todo homem é só, pois é único,
E esta solidão é sacrossanta; só ele pode rompê-la, dizer-se a
       um outro e receber o outro.
Só ele pode passar da solidão à comunhão.
E queres, Senhor, esta comunhão, queres que estejamos unidos
       uns aos outros.
Apesar dos fundos valos que cavamos entre nós pelo pecado,
Queres que estejamos unidos como estais, o Pai e tu.

Senhor,
Dói-me este garoto, assim como todos os solitários, seus irmãos.
Faze que eu passe pelo Mundo, abertas todas as portas,
Minha casa inteiramente vazia, disponível, acolhedora.
Ajuda-me a sair de minha própria casa para não incomodar
       ninguém.
Para que possam entrar os outros, sem pedir nada,
E botar no chão seu fardo sem serem vistos.
E eu, à noite, virei silenciosamente apanhá-lo
       e me ajudarás, não é, Senhor, a carregá-lo!
 
(Michel Quoist, do livro PRIÈRES: Quand Toute la Vie Devient Prière, p. 74-76).

Abração!
Dominus Tecum!

Wendel Cavalcante