"O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro". ("Terra Sonâmbula", Mia Couto)
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
ORAÇÃO
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado
compreender que ser compreendido
amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a VIDA ETERNA !
(SÃO FRANCISCO DE ASSIS)
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Entre feras...
O Homem, que, nesta terra miserável,
"Mais que pregar, quero viver
Os conflitos irão continuar existindo. Não tenho como fugir deles.
Aprendi ao longo da estrada que existem "maneiras" e "maneiras" de se dizerem as coisas!
Os Provérbios de Salomão me ajudaram nesse exercício:
12:18 – “Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura”.
12:19 – “Os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante”.
13:13 – “Quem guarda a sua boca guarda a sua vida, mas quem fala demais acaba se arruinando”.
15:4 – “O falar amável é árvore da vida, mas o falar enganoso esmaga o espírito”.
15:26 – “O Senhor detesta os pensamentos maus, mas se agrada de palavras ditas sem maldade”.
16:32 – Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”.
17:14 – “Começar uma discussão é como abrir brecha num dique; por isso resolva a questão antes que surja a contenda”.
17:19 – “Quem ama a discussão ama o pecado; quem constrói portas altas (se orgulha) está procurando a sua ruína”.
18:19 – “Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as discussões são como as portas trancadas de uma cidadela”.
18:21 – “A língua tem poder sobre a vida e a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto”.
20:23 – “Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento”.
E assim, vou afugentado a fera dentro de mim, consciente de que também tenho meus pontos fracos, defeitos e falhas! E que causo aborrecimentos também.
Seria este um primeiro passo para domesticar a fera?
Que Deus nos ajude!
Abração a tod@s!
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
"Cada um é Doutor na sua profissão".
O trabalho é protoforma da práxis social e é caracteristica fundante do ser. Trocando em miúdos, é como o Gonzaguinha colocou em sua poesia:
"Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz".
Pois bem...
Todos os adultos da minha vizinhança contavam a história do "Seu Chico Pititoso", um marceneiro de mão cheia.
Certo dia, ele foi contratado para fazer um trabalho nas redondezas de montar e assentar umas portas e janelas. E todos dizem que o Seu Chico trabalhou duro durante todo aquele dia. Ao final do dia, o dono da casa chegou para verificar se o serviço fora concluído e se estava do seu agrado.
- Muito bom, Seu Chico! Quanto foi seu trabalho?
- Foi tanto, Doutor. Respondeu Seu Chico dizendo o preço, o qual esqueci.
- Que é isso, Seu Chico! Eu sou Doutor e não ganho isso num dia! Replicou o dono da casa achando o preço muito caro e querendo barganhar.
Foi aí que Seu Chico juntou suas ferramentas na sua mala e disse:
- Doutor, cada um é doutor na sua profissão!
Deu as costas e foi para sua casa.
Atordoado com aquela atitude o Doutor foi até a casa do seu Chico pedir-lhe que aceitasse o pagamento.
Que coisa, não!
O Seu Chico não está mais ente nós, mas deixou esse legado na sua comunidade.
Lembro sempre dessa história quando passo pela experiência de não ter o meu trabalho valorizado.
E a você, leitor, leitora, fica o desafio de reconhecer e valorizar o trabalho de quem está a sua volta.
Abração a Tod@s!
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Dia do Professor
PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ (Bertold Brecht)
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis. Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tantas vezes?
Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia. Sozinho?
César bateu os gauleses. Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. Quem venceu além dele?
Cada pagina uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias.
Tantas questões.
Aqui fica meu abraço para os meu colegas de profissão. Aqueles que aceitaram o desafio de serem eternos aprendizes!
domingo, 10 de agosto de 2008
Por isso vem
Já falei pra vocês da Fraternidade Teológica Lationo-Americana há alguns meses atrás. Na consulta de maio de 2008, teve um momento que foi muito significativo pra mim. Não sei se vocês já dançaram ciranda. Garanto que é terapêutico!!
MOMENTO NOVO (Ernesto B. Cardoso)
de caminhar junto com seu povo.
É hora de transformar o que não dá mais;sozinho, isolado ninguém é capaz.
Entra na roda com a gente,
também, você é muito importante.Vem!
Há muita força que produz a morte,
gerando dor, tristeza e desolação.É necessário unir o cordão.
Entra na roda com a gente,
também, você é muito importante.Vem!
atua em nós pela sua graça.
É Deus quem nos convida p’ra trabalhar,o amor repartir e as forças juntar.
Entra na roda com a gente,
também, você é muito importante.Vem!
Abração a Tod@s!
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Dois Brilhantes

Fotos: http://pracadarepublica.weblog.com.pt/2006/06/olhares.html
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Sobre ferrolhos
Quando assisti o filme "O Senhor dos Anéis: As duas Torres", lembrei-me imediatamente do provérbio acima. As cidades, que também eram fortalezas, só eram tomadas à força. A energia e o grande número de guerreiros mobilizados nas incursões era algo absurdamente descomunal. Agora, imagine eu ou você tendo que empregar tamanha força para reconquistar um irmão ou um amigo ofendido...!?:;,.
Essa lenda anotei na minha agenda alguns dias depois que um amigo me disse que eu era um peso na vida dele. Mas nem sempre os irmãos ofendidos estão dispostos a abrirem os ferrolhos de seus palácios. E o que fazer nesses trechos da estrada? Deixar-se levar pela lógica de que "a vida sempre foi um perde-ganha, quem não bate apanha; e isso é natural"? Ou fazer como aquele pai , que esperava o filho que se foi levando parte dos bens da família, e ao avistá-lo ainda quando estava longe, se moveu de íntima compaixão, correu ao seu encontro e o abraçou e o beijou?
Tenho procurado abrir os muitos ferrolhos do meu palácio. Confesso que não é uma coisa fácil de se fazer. É algo doloroso de imediato. Mas que ao abrir da porta torna-se libertador!
Abração a tod@s!
sábado, 19 de julho de 2008
Navegar é preciso...
É como disse Jonas Abib, Monsenhor.:
"Não dá mais pra voltar, o barco está em alto mar.
Não dá mais pra negar o mar é Deus e o barco sou eu
E o vento forte que me leva pra frente é o amor de Deus.
Não dá nem mais pra ver o porto que era seguro.
Eu sou impulsionado a desbravar o novo mundo".
Parafraseando os poetas, "muitas vezes nossos corações fingem fazer mil viagens. No entato, estão ancorados num porto qualquer, sendo arremeçados contra o cais".
"Navegar é preciso!"
Abração!
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Saia você também da cabana
Estou lendo um livro do Philip Yancey, e descobri a história facinate de um homem chamado John Muir, relatada no prefácio de Eugene Peterson; e que agora eu compartilho com você.
"Na última metade do século dezenove, John Muir era o mais intrépido e maravilhoso explorador do extremo ocidental da América do Norte. Por décadas ele andou pelas impressionantes criações de Deus, para cima e para baixo, desde as Sierras da Califórnia até as geleiras do Alaska, observando, relatando, louvando e experimentando - entrando em tudo o que encontrava com o prazer de uma criança e reverência da maturidade.
Em 1874 Muir visitou um amigo que vivia numa cabana aninhada no vale de afluente do rio Yuba, nas montanhas Sierra - um lugar ermo, bom para se aventurar e depois voltar para uma reconfortante xícara de chá.
Num dia frio de dezembro surgiu uma tempestade vinda do Pacífico - uma brava tempestade que fustigava os zimbros e os pinheiros, as madornas e os ciprestes como se fossem folhas de relva. Era para tempos como esse que a cabana fora construída: proteção aconchegante dos elementos severos da natureza. Facilmente podemos imaginar Muir e seu anfitrião seguros na cabana bem calafetada; laleira acesa para espantar o assalto cruel dos elementos, ambos enrolados em peles de ovelha; Muir absorto, descrevendo, em elegante prosa, a fúria da natureza. Mas, nossas imaginações não treinadas a lidar com Muir, nos traem, pois Muir, em vez de se abrigar no aconchego da cabana, fechando bem a porta e jogando mais uma tora no fogo, saía da cabana no meio da tempestade, subia um alto penhasco, escolhia um pinheiro gigante como poleiro ideal para experimentar o caleidoscópio de cor e som, cheiro e movimento, abria caminho ao topo e cavalgava a tempestade, fustigado pelo vento - segurando firme para preservar a vida, curtindo a natureza: usufruindo toda sua rica sensualidade, sua energia primal".
E você...?
É um mero espectador da vida, que prefere os confortos de criatuaras ou, em vez disso, os confrontos com o Criador?
Abração!
terça-feira, 8 de julho de 2008
Professor Pedro
Havia passado no vestibular para o Curso de História da Universidade Vale do Acaraú-UVA.
Como eu fui parar lá?
Foi assim...
Conclui o segundo grau em 1991 e não ingressei nas universidades da capital. Passei o ano de 1992 jogando futebol. Não peguei em nenhum livro! Que disperdício!
Meus tios eram representates de uma marca de cosméticos e comecei a trabalhar com eles na distribuição dos produtos nos gabinetes de beleza. Como os negócios iam bem, eles pensaram em montar um escritório em Sobral. Trabalharíamos durante o dia e estudaríamos à noite. Resumindo... fizemos o vestibular, mas só eu passei nas provas.
Em 1993, passei a morar em Sobral. Fiquei hospedado no Pensionato do Sr. Petrus Johannes Van Ool, ou simplesmente Professor Pedro, um holandês que sobreviveu a Seguanda Guerra Mundial e que escolheu o Brasil como seu chão.
Um homem de uma mente brilhante. Mestre de figuras conhecidas nacionalmente, como a de Ciro Gomes, de quem conhecia bem o gênio! Poliglota: holandês, latim, espanhol, alemão, francês, inglês e português. Lembro-me de ouvi-lo recitar trechos de "Hamlet", de William Shakespeare. "Ben", de Michael Jackson, uma de suas canções preferidas.
Idealista e apaixonado pela educação. Havia montado o espetáculo "Luzia Homem", de Domingos Olímpio, no Teatro Municipal de Sobral. Um sonho: montar a "Ópera O Guarani", de Carlos Gomes, pois também era regente de coral.
Não era meu professor. Era um Mestre. Converssávamos muito. Não tinha assunto que ele não soubesse desenvolver. Aliás ele me dava uma bronca quando perguntava se ele tinha algum livro que falasse de um determinado assunto. Aí ele dizia: "Wendel, livros não falam. Livros tratam de algum assunto". Aí caíamos na risada!
Marcou minha vida e de centenas de outros estudantes que por lá passaram!
Sua maior riqueza era o conhecimento.
Realmente, um Mestre!
Depois de 15 anos retornei ao pensionato e fui ao seu encontro com uma grande expectativa. Fui participar de um Congresso de Jovens dos dias 4 a 6 de julho de 2008, em Sobral, e aproveitei pra fazer-lhe uma visita.
Cheguei no portão e perguntei: "Essa é a casa do Professor Pedro, né? Ele está?".
- Não! - repondeu-me um senhor, que cuidava de uma criancinha, com muito espanto.
- Já faz 40 dias que o Professor Pedro faleceu. Completou ele.
Meus amigos André Rocha e André Ximenes, que estavam comigo, logo perceberam minha tristeza e frustração. Havia chegado tarde demais!
Fomos então convidados pela esposa do Professor, Dona Zuneide, a quem eu chamava carinhozamente de Dona Zu, a entrar e conversar um pouco.
Ela nos mostrou as matérias nos jornais da cidade. Ainda me presenteou com um exemplar de um jornal e um CD de homenagens ao seu esposo.
Pude entrar novamente em seu escritório, onde estava a sua biblioteca particular, cenário da tradução de muitos livros para grandes editoras nacionais, mesmo que não levasse os créditos. A máquina de datilografar num canto coberta jazia em silêncio. Sobre sua mesa, o Novo Testamento, outros livros, além da boneca da edição ampliada das lembranças da guerra.
Abracei Dona Zu e choramos...
Já era hora de ir embora e agradeci Dona Zu por tudo o que ela e o Professor Pedro contribuíram para minha formação. Isso é algo que não tem preço!
Que saudade!!!
http://www.youtube.com/watch?v=aSqo17o2a1w
domingo, 29 de junho de 2008
Lembranças do Parque
Mas nem o fato de tanta sola
tirava de mim a paixão
por aquela escola.
Quantas vezes não fiquei sem recreio por conta das tarefas não respondidas? Tantas e tantas...
Hoje, professor, quando "volta e meia" estou procurando alguma coisa nas minhas agendas, me deparo com um texto do Paulo Freire:
A ESCOLA
Escola é...
o lugar onde se faz amigos,
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha,
que estuda, que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente,
o aluno é gente, cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados".
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
que não tem amizade a ninguém,
nada de ser como tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver,
é se "amarrar nela".
Ora, é lógico...
numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.
domingo, 22 de junho de 2008
Equilíbrio Ecológico
domingo, 15 de junho de 2008
Dom Quixote
onde outros, com outros olhos,
Quem diz escolhos, diz flores!
Vê moinhos? São moinhos!
domingo, 8 de junho de 2008
Dialetos
O Ceará, conhecido pelas belezas naturais, pelos problemas sociais sérios e que merecem cuidados, também é conhecido pela forma como as pessoas falam, ou seja, pelo seu dialeto, o "Cearês".
Não que isso seja exclusividade cearense, mas alguns ambientes desenvolvem com mais facilidade expressões e jargões que só são compreendidos por quem os frequenta. Um exemplo são as igrejas que falam o "evangeliquês".
E foi justamente no início da madrugada de um sábado que ouvi uma das frases mais orginais que lembro, onde o "cearês" e "evangeliquês" se confrontavam.
Meu vizinho estava bêbado(até hoje é difícil encontrá-lo sóbrio, pois é dependente do álcool) e discutia em voz alta com sua irmã. Quanto mais eles falavam mais os outros vizinhos ascendiam as luzes para ver o que estava acontecendo. Mas o que chamou minha atenção foi o final daquela discussão:
"Num bote boneco, não cumade! Fique aí na sua!" - disse ele.
"Troço desse só serve pra perturbar nosso juízo!" - disse ela.
"Quem mandou mexer comigo? Agora eu vou lhe aperriar até dizer chega!" - retrucou ele.
"Tá é queimado, tá é queimado, tá é queimado em nome de Jesus!" - bradou ela.
"Ora... Se Jesus já quer é tirar o "nêgo" do fogo! Como é que pode tá queimado?" Perguntou ele, o que pôs fim a discussão.
Minha reação na hora em que ouvi isso foi um misto de riso e choro.
Riso pela forma genial do trocadilho. Não conseguiria ter dado uma resposta melhor e acabar com a discussão. Choro por ouvir o clamor de alguém bem perto de mim e permanecer alheio.
Para escrever essa história pedi a autorização do meu ex-vizinho, que quase me derrubou da cadeira quando foi se levantar do meio fio da Praça Argentina, onde nós converssávamos.
É... Esse cara precisa de apoio. Só assim ele terá a oportunidade de escolher trocar a "água que o passarinho não bebe" por "Água Viva"!
Sei que o desafio é grande: compartilhar com alguém algo que nos custe muito, principalmente o tempo!
Um grande abraço!
segunda-feira, 2 de junho de 2008
O tempo nosso de cada dia
Abro parêntese...
De vez em quando me pego fazendo as contas do tempo. A última vez que vi as pesquisas do IBGE sobre a expectativa de vida dos brasileiros e brasileiras foi em 2006: a média nacional era de 71,9 anos; enquanto a média da região Nordeste era de 69 anos. No Sul: 74,2 anos; no Sudeste: 73,5 anos; no Centro-Oeste: 73,2 anos; e no Norte: 71 anos.
E para essa problemática tentava a "solucionática" de Moisés: "Ensina-me ó Deus a contar os meus dias para que eu alcance um coração sábio."
E fazia as contas...
Nasci em 1974. Pela média nacional, viveria (1974 + 71,9) até 2046, aproximadamente. Pela média do Nordeste, viveria (1974 + 69) até 2043. Assim:
Até 2046: 34 anos x 365 dias = 12.410 dias vividos.
2046 - 2008 = 38 anos a viver ou 38 anos x 365 dias = 13.870 dias a viver.
Se contados os anos bissextos temos de 1974 a 2004 mais 8 dias. Assim, os dias vividos passariam para 12.418 dias. De 2008 a 2046 temos mais 12 dias. Os dias a viver passariam para 13.882.
Paranóia constantemente confrontada pela Metanóia! Por isso não vou fazer as contas se fosse viver até 2043. Fecho parêntese.
Estávamos, os homens, num círculo na sala de estar, enquando as "meninas" também se organizaram num dos quartos.
O papo cabeça estava a mil por hora! Todos falavam. E lá pelas tantas, resolvi fazer uma pergunta:
"Posso ler uma coisa pra vocês?" - Perguntei meio receoso, achando que ia falar besteira.
"Diz lá, cara!"- Respondeu o Werbston, o anfitrião e aniversariante, o que me deixou muito à vontade.
Foi aí que eu abri minha agenda e comecei a ler:
"Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar".
("Epitáfio", Sérgio Britto)
Não sei os outros, mais teve um deles que bebeu junto comigo da essência dessa letra. Pude ver nos olhos dele! São em ocasiões como esta que podemos dizer: "ganhei o dia! Ufa! Não tô ficando doido!".
Toda vez que me pego na tentativa (e porque não dizer tentação!) de contar o tempo com o rigor "cartesiano" fecho os meus olhos e me vem à mente aquele dia...
Posso ver todos ali sentados em círculo. Posso ouvir minha voz e as batidas apressadas do meu coração.
Quero encerrar este texto com uma expressão que vi no filme "Sociedade dos Poetas Mortos" e no site do Rubem Alves: "Carpe Diem", que quer dizer "aproveite o dia"; "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.
Abração!
"PaZ para os Irmãos!"
domingo, 25 de maio de 2008
EstAção
Quando fui convidado por uns amigos para participar do Projeto EstAção, não imaginava como a ação desenvolvida por eles poderia reverberar na estrada.
Confesso que, na primeira vez que fui até a Praça da Estação, estava ancioso por encontrar as pessoas com quem meus amigos interagiam nas noites de sábado à noite.
A idéia é simples: Sanduíches e suco no primeiro momento; e ouvido, atenção, abraços, sorrisos, compaixão... no segundo momento.
Fiquei e ainda fico impressionado com o poder desse gesto!
Quando chegamos na praça, os "navegadores e navegadoras solitári@s" vão aparecendo um por um. São pessoas que não têm nada... nada mais que seus trapos e o ar que respiram! Alguns saem "do sonho feliz e cidade" em busca de trabalho, mas acabam nas ruas. Outros, ao contrário, deixaram tudo e todos para viverem à deriva... São músicos, donas de casa, ministros do evangelho, filhos e filhas rebeldes, velhos que deixam seus lares em busca de algo que lhes complete.
Depois do primeiro encontro passei a reclamar menos lá em casa de "detalhes tão pequenos que eu insistia em tornar grandes demais para esquecer", como chegar da rua, com muito calor, sede e não ter água gelada pra beber. Só o filtro de barro "olhando" pra mim!
Agora, sou invadido por um sentimento que não sei explicar...
Me faltam palavras...
Lembrei de "Moby Dick em Lisboa"!
"Em tempos admirei cegamente estes homens, a sua coragem, o desprendimento com que se deixam ir entre mar e céu, entregues a si próprios e à fortuna que tanto protege os audaciosamente como friamente os elimina. Ainda hoje lhes reservo um canto do coração. Lá uma vez por outra, perde-se o navegador na imensidão dos oceanos. (....) Toda a gente quer ajudar de qualquer maneira, telefonar aos bombeiros ou aos hospitais, arregaçar as mangas. Em espírito vai tudo ao cais ou à praia deitar olhos para o oceano, a ver se aponta a vela. E não se fala noutra coisa. Estas duas palavras (navegador e solitário) estão cheias de tal prestígio que dizê-las ou ouvi-las, é assim como sentir um vento de heroísmo a agitar os cabelos e as gravatas. De um momento para o outro, o mundo fica cheio de heróis sem oportunidade nem emprego. (....) A humanidade sente-se regenerada, humanitária. Este mundo tem coisas. Porque entretanto, e antes, e depois, passam todos os dias ao nosso lado outros navegadores solitários, doentes uns, desafortunados, sem casa nem trabalho, sem alegria, sem esperança – e ninguém atravessa a rua para lhes dizer : « Estás perdido, amigo? Estás perdido ? »
(José Saramago, Moby Dick em Lisboa, Crônica.)
Talvez, todos nós pudéssemos fazer algo que esteja ao nosso alcance!
Um bom começo seria viver os valores da "Nova Cidade Celestial" aqui na Velha Cidade.
Um grande abraço a Tod@s!
terça-feira, 20 de maio de 2008
O Profeta Popular
(Patativa do Assaré)
Nunca diga nordestino
Que Deus lhe deu um destino
Causador do padecer
Nunca diga que é o pecado
Que lhe deixa fracassado
Sem condições de viver
Não guarde no pensamento
Que estamos no sofrimento
É pagando o que devemos
A Providência Divina
Não nos deu a triste sina
De sofrer o que sofremos
Deus o autor da criação
Nos dotou com a razão
Bem livres de preconceitos
Mas os ingratos da terra
Com opressão e com guerra
Negam os nossos direitos
Não é Deus quem nos castiga
Nem é a seca que obriga
Sofrermos dura sentença
Não somos nordestinados
Nós somos injustiçados
Tratados com indiferença
Sofremos em nossa vida
Uma batalha renhida
Do irmão contra o irmão
Nós somos injustiçados
Nordestinos explorados
Mas nordestinados não
Há muita gente que chora
Vagando de estrada afora
Sem terra, sem lar, sem pão
Crianças esfarrapadas
Famintas, escaveiradas
Morrendo de inanição
Sofre o neto, o filho e o pai
Para onde o pobre vai
Sempre encontra o mesmo mal
Esta miséria campeia
Desde a cidade à aldeia
Do Sertão à capital
Aqueles pobres mendigos
Vão à procura de abrigos
Cheios de necessidade
Nesta miséria tamanha
Se acabam na terra estranha
Sofrendo fome e saudade
Mas não é o Pai Celeste
Que faz sair do Nordeste
Legiões de retirantes
Os grandes martírios seus
Não é permissão de Deus
É culpa dos governantes
Já sabemos muito bem
De onde nasce e de onde vem
A raiz do grande mal
Vem da situação crítica
Desigualdade política
Econômica e social
Somente a fraternidade
Nos traz a felicidade
Precisamos dar as mãos
Para que vaidade e orgulho
Guerra, questão e barulho
Dos irmãos contra os irmãos
Jesus Cristo, o Salvador
Pregou a paz e o amor
Na santa doutrina sua
O direito do bangueiro
É o direito do trapeiro
Que apanha os trapos na rua
Uma vez que o conformismo
Faz crescer o egoísmo
E a injustiça aumentar
Em favor do bem comum
É dever de cada um
Pelos direitos lutar
Por isso vamos lutar
Nós vamos reivindicar
O direito e a liberdade
Procurando em cada irmão
Justiça, paz e união
Amor e fraternidade
Somente o amor é capaz
E dentro de um país faz
Um só povo bem unido
Um povo que gozará
Porque assim já não há
Opressor nem oprimido
segunda-feira, 12 de maio de 2008
"Os Sonhos Não Envelhecem..."
Nesses congressos, geralmente, as propostas, para o movimento estudantil, universidade e sociedade são apresentadas em forma de teses. Estas teses recebem "pseudônimos", muitas vezes trechos ou frases de músicas e poemas. Lembro-me de algumas: "Nada do que foi será"; "Quem vem com tudo não cansa"; "A beleza de ser um eterno aprendiz"; "Frutos da crise, sementes da ousadia"; "Pro dia nascer feliz"; "Somos quem podemos ser...Sonhos que podemos ter..."; e por aí vai...
Mas teve um congresso que me marcou não pelas teses defendidas ou por aquela vencedora ao final dos dias de debates. Uma das correntes do movimento estudantil escolhera uma letra, "Clube da esquina nº 2", para divulgar sua tese, que se chamava "Os Sonhos Não Envelhecem".
O movimento estudandil foi uma das minhas escolas. Foi lá que aprendi a controlar minha timidez, além de ter contribuído diretamente na minha formação. E esse mesmo movimento estudantil começava a entrar em colapso, uma vez que muitos projetos de esquerda resolveram optar pela social democracia, chegaram ao governo e paradoxalmente tiveram (e estão tendo) êxito numa conjuntura neoliberal, sem ruptura ideológica. Conclusão: a galera estava cantando como o poeta "ideologia, eu quero uma pra viver!"
Capistrano de Abreu, na busca por identificar os responsáveis pela construção do edifício colonial, construiu um pensamento que ainda ecoa nos nossos dias; "o povo, durante trezentos anos capado e recapado, sangrado e ressangrado."
Dura realidade e sentimento de impotência...
Não sei se soava como consolo ou como alívio para os meus pés cansados até aquele momento...
"Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, asso, asso
Asso, asso, asso, asso, asso, asso
Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
Calmos, calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio
E lá se vai...(...)"
(Milton Nascimento / Lô Borges / Márcio Borges)
E foi nessa atmosfera que a poesia saltou no meio daquelas teses que nada podiam reverter aquele quadro de decadência e desarticulação.
Muitos dias se passaram e os anos também!
Sempre que encontro meus "companheir@s" de movimento estudantil, eles lamentam os tempos que não voltam mais e da apatia, da falta de mobilização dos estudantes de hoje! Também lamentam o fato do trabalho ter-lhes absorvido de tal forma, que acham impossível sair da órbita "casa-trabalho-casa".
Quando digo que não parei de caminhar, que não me filiei a nenhum partido político e que as bandeiras que levanto hoje são outras, vejo nos olhos deles um brilho especial, que me motiva e me faz lembrar: "É... José! Os Sonhos Não Envelhecem!"
E o que se chamava estrada encontrou uma "Nova Chama", que se fez "lâmpada para os pés e luz para o caminho".
Também queria dizer para vocês que estão passando por essa estrada:
"Sonhos não envelhecem...
envelhecem... os que não sabem sonhar bonito!
O rosto da alma não sofre a ação do tempo!
Sobrepuja-o com discrição... dignidade e contentamento!
Homens... máquinas que guerreiam pela ânsia da vida...
desejando a qualquer custo
alcançar o primeiro lugar no pódio...
na conquista da taça... no mundo dos negócios...
não sabem sonhar bonito!
Não vêem mais as árvores...
e nem o brotar de novas flores...
Não sentem o frescor da chuva e...
nem o cheiro da terra molhada!
Chutam as pedras... sem tirá-las do caminho!
A dialética da vida...
não se interpõe em nossos pensamentos!
nós é que a enquadramos...
dentro dos padrões de vida que escolhemos!
A visão comprometida pela luta... nos leva a torvelinhos e...
às vezes afundamos... sem voltar à tona!
Visão ampla...é a visão da essência...
a visão que os poetas enxergam!!!
Sonhos não envelhecem...
se o renovarmos a cada dia...
E nem as almas de quem souber sonhar bonito!
("Sonhos não envelhecem", Iracema Zanetti )
"É... Amig@! Os Sonhos Não Envelhecem!"
Abraço a Tod@s!
domingo, 4 de maio de 2008
Está Chovendo!
Não é difícil compreender o amor dos poetas e artistas populares por este pedaço de chão.
No último fim de semana fui participar da Consulta da Fraternidade Teológica Latino-Americana/Nordeste. Passei por quatro estados: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e cheguei nas Alagoas.
Tudo Verde! Mas as terras em poder de poucos!
Nosso país não poderá equacionar muitos dos nossos problemas sociais sem que antes faça uma divisão de terras que seja justa.
Me alegrei e até cheguei ficar com os olhos marejados de ver a caatiga viva e viçosa. Aí lembrei do "Seu Luis", filho de Januário:
"Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da prantação
A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pr'esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homes trabaiador
Rios correndo
As cachoeira tão zoando
Terra moiada
Mato verde, que riqueza
E a asa branca
Tarde canta, que beleza
Ai, ai, o povo alegre
Mais alegre a natureza
Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de Rosinha
A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano."
"A Volta da Asa Branca" (Luis Gonzaga, Humberto Teixeira e Zé Dantas).
Bem...
Ainda não foi dessa vez que achei minha "Linda Flor"!
Quanto ao vigário? Como disse o poeta: "Pois o que pesa no norte, pela lei da gravidade, disso Newton já sabia! Cai no sul grande cidade". Estou com saudade, viu cara?!!!
Quanto à "safra" desse ano? Essa foi uma das boas notícias que recebi a caminho de Maceió, ainda no dia 1º de maio, dia do trabalho. Nossa ONG conseguiu seu primeiro financiamento. Nossas atividades já estão asseguradas durante 2008. Eita inverno bom!!! heheheheh!!!!
"Ai, ai, eu tô alegre
Mais alegre a natureza ". hehehehehehhehheheheh!!!!!!
segunda-feira, 28 de abril de 2008
A Fortaleza de Chicuta
Precisava de um refúgio onde pudesse ponderar "grama por grama", vantagens e desvantagens, e o que eu dizer lá em casa. Tinha que transmitir segurança e convicção já que envolvia um importante passo na estrada, embora meus pais não me pressionassem a nada.
Foi aí que resolvi aceitar o convite do meu amigo Francisco para conhecer sua terra natal e celebrar com os seus a chegada de 2008. Ele, a Vivi e eu fomos recebidos com um churrasco de bode, que tinha como entrada uns deliciosos bolinhos fritos, que eram uma das especialidades da casa.
Nesses dias que estive hospedado na cada dele, três coisas contribuíram com suas singularidades e me falaram profundamente com e sem palavras.
A primeira delas foi constatar que aquela casa tem uma vista privilegiada. Está no alto de um dos montes que cercam boa parte da cidade. Abaixo de nós os telhados e centenas de antenas parabólicas, abertas à recepção do sinal da "Boa Notícia", como se fossem muitas bacias, prontas a receberem "Água Viva".
A segunda foi sentir durante os dias uma brisa quente, que entrava pelas minhas narinas como um "novo sopro", o fôlego necessário para as próximas léguas da estrada, embora tivesse que escolher por uma das vias da bifurcação que estava diante de mim. Ao cair da tarde, na virada do dia, O Criador ouvia atentamente a criatura em suas ponderações. Já nas noites, a lua ia saindo timidamente por trás de um dos montes, como se me perguntasse: "e aí, já sabe por onde ir?". Tive assim a certeza de que estava no local certo, numa fortaleza, com uma boa visão da situação!
E a terceira foi ter conhecido um homem simples, porém visionário! Alguém que optou em investir na educação dos seus três filhos a ter sua casa mobiliada. Sem falar no seu sonho de deixar o emprego noturno e abrir seu próprio negócio. Estava diante de uma pessoa que tinha muito mais responsabilidades do que eu, mas que não hesitou diante de suas vacas sagradas. Estou falando de "Seu Chicuta", como é chamado carinhosamente pelos seus e por onde ele passa.
Regressei à Fortaleza ainda na atmosfera que envolve o dia primeiro de janeiro de todo ano, com muito otimismo, esperança e muitos planos. Mas também com a convicção de que me depararia, logo no dia 02 de janeiro, com a mais dura realidade, porém com uma diferença: iria levar a frente o sonho de construir o Instituto Sinergia Social, uma ONG que eu e mais quatro amigos fundamos em novembro de 2007, mas que ainda não havia sido registrada. Mas essa é uma outra história...
Não podia imaginar que, ao sair da Fortaleza dos "verdes mares bravios", iria encontrar a Fortaleza nas palavras cadenciadas e cheias de emoção de "Seu Chicuta", pai do meu amigo Francisco. Alguém que se emociona ao lembrar do dia em que recebeu o sinal da "Boa Notícia" e de como a "Água Viva" saciou-lhe a sede. Gente que não contém as lágrimas ao saber que está chegando a hora da partida de seus hóspedes. Prova viva de que "maior é aquele que serve"! Espero um dia voltar a sua modesta casa, "Seu Chicuta"! Aliás, mais do que uma modesta casa! Uma verdadeira Fortaleza!

